Histórias de fé se encontram no dia da padroeira de Santos

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É oito de setembro, dia da padroeira de Santos. A respiração ofegante das centenas de pessoas subindo, rezando e conversando, em meio promessas e candidatos políticos, mantém o local vivo. Entre o ruído dos passos e as preces em voz baixa, as amigas de infância Gabriela Simão, estudante de logística e Milena Bastos, vendedora, tentam, com esforço, avançar degrau a degrau. Grávidas de sete meses, a subida não é fácil. As mães, que as acompanham, mantém-se próximas, atentas a cada parada e respiração pesada.

Percebendo que Gabriela e Milena começam a sentir o peso da gravidez, uma das mães as obriga a uma pausa. Elas estão mal. A situação foi antes prevista pelas mães das amigas que, por isso, decidiram acompanha-las. Isso porque Gabriela e Milena descobriram a gravidez na mesma semana e, pouco depois, que tinham o mesmo tempo de gestação. Mera coincidência não era uma hipótese. Era divino, com certeza. Só poderia ser.

Ali, subindo as escadarias, era mais que uma promessa ou o reconhecimento do extraordinário. Era um teste para o corpo e para o espírito.

Pessoas continuam passando rapidamente, algumas rezando e conversando em voz alta, outras apenas em silêncio, submersas em seus próprios pensamentos. O calor do dia começava a pesar sobre elas. A preocupação é visível nos olhos das amigas. “A gente sabia que isso poderia acontecer e por isso estamos aqui para cuidar delas. Vai dar tudo certo”, diz uma das mães.

Mais ao longe, em outra parte das mesmas escadarias, Rita Isidoro, aposentada e Hynga Isidoro, professora, seguem em outro ritmo. Estão ali por uma promessa. Rita, com seus passos lentos e o corpo que já não responde com a mesma agilidade de antes, é a imagem da resistência. Hynga, a filha que a acompanha, é agora o apoio que ela precisava, apesar do cansaço.

“Faz tanto tempo que não subo essas escadas”, diz Rita, com a respiração ofegante. A mãe da aposentada sofria de Alzheimer, e sua condição debilitada as afastou da tradição em subir o Monte Serrat juntas por mais de uma década. Agora, uma promessa de Hynga a traz de volta.

“Prometi que subiria se conseguisse um emprego até hoje”, conta a professora, segurando firme em uma parede durante uma pausa. O emprego veio, e com ele o desejo de cumprir a promessa.

Depois de tanto tempo, os degraus parecem mais íngremes do que Rita se lembra. Cada passo exige mais do que ela esperava. “Estou muito cansada porque não faço isso há mais de dez anos”, declara Rita, entre um suspiro e outro, “mas vou conseguir.” As lembranças da última vez que esteve ali, ainda ao lado de sua mãe, são vivas. O Alzheimer levou a lucidez da avó de Hynga, mas a subida ao Monte ficou gravada em sua memória.

A professora percebe o cansaço nos olhos da mãe, mas também reconhece o quanto aquela jornada significa. Ambas sabem que não é só uma promessa; é um reencontro com algo que ficou para trás.

Mãe e filha se recuperam e seguem lentamente. Para elas, a subida é um símbolo de superação do tempo, da dor e da distância. O barulho ao redor não as distrai; estão envoltas nas próprias memórias, na conversa, na promessa silenciosa de que o passado ainda vive em cada degrau, mesmo que os corpos não sejam mais os mesmos.

Rita e Hynga seguem, e bem atrás delas, Gabriela e Milena retomam a caminhada. Não estão juntas. Sequer se conhecem. Mas naquela multidão, suas histórias se encontravam de alguma forma.

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