SANTOS, SP — A 40ª edição dos 10 KM Tribuna-Terracom tomou conta das ruas de Santos neste domingo (17) e reuniu cerca de 25 mil corredores ao longo do percurso. Além da busca por superação e bons tempos, a prova foi marcada mais uma vez pela criatividade dos participantes.
Fantasiados de personagens famosos ou com causas sociais, muitos corredores transformaram as avenidas da cidade e a orla da praia em um verdadeiro desfile durante a tradicional corrida santista.
Freddy Krueger e Coringa
Entre os personagens que chamaram a atenção do público estavam Freddy Krueger e Coringa. Fantasiados, os irmãos Antônio Carlos de Freitas, de 55 anos, e Claudio Renato de Freitas, de 52, participaram de mais uma edição da prova levando descontração e uma mensagem de conscientização.
“Nós corremos fantasiados há 25 anos e participamos da corrida há 30 anos. Com o tempo, fomos oscilando entre participar com temas importantes e divertir as pessoas. Esse ano estamos com o tema muito importante do feminicídio, que é uma bandeira da minha irmã. Nós usamos da criatividade e da alegria para falar de um tema importante”, disse o psicólogo Antônio Carlos.

Corrida pela inclusão
Entre os milhares de participantes dos 10 KM Tribuna-Terracom, Ary Silva Santos, de 60 anos, aproveitou a prova para reforçar uma mensagem sobre inclusão e conscientização em relação ao autismo.
Pai de Tiago Garavati Santos, de 22 anos, ele destacou a importância de ampliar os espaços para pessoas com autismo em atividades esportivas e sociais.
“Nós precisamos sempre inclui-los em qualquer atividade esportiva, para que entendam que autismo não é doença. É só uma questão de incluir a pessoa para que ela se sinta útil na vida. Existem muitas dificuldades, porque depende do grau de autismo. Meu filho já tem dificuldade de movimento, então pra ele fica difícil, mas caminhar ele consegue. Como aqui são 10 km, acaba sendo muito”, disse.

Ary também falou sobre os desafios enfrentados pelas famílias no processo de inserção social de pessoas autistas e defendeu mais preparo e empatia por parte da sociedade.
“No começo, as pessoas não estão muito preparadas para receber crianças autistas. Elas confundem muitas coisas. Muitos profissionais, que deveriam estar preparados, não dão esclarecimento e acabam dificultando ainda mais as coisas. Então fica difícil” completou.

Em família
A participação nos 10 KM teve um significado especial para o engenheiro mecânico Rômulo, de 35 anos. Correndo ao lado da esposa e do filho, ele relembrou os desafios enfrentados logo após o nascimento da criança e celebrou a oportunidade de dividir o percurso em família.
“Nós passamos maus bocados com ele quando nasceu, então é uma vitória correr com ele aqui. Ele nasceu prematuro, de oito meses, ficou 26 dias na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], então já nasceu vitorioso. Nós já corríamos a prova, mas no ano passado não conseguimos porque ele era muito pequeno. Esse ano estamos retomando e a ideia sempre foi correr com ele” disse o pai.

Energia extra nas ruas de Santos
Veterano na prova, Vinícius Camargo, de 41 anos, saiu de Bertioga para participar de mais uma edição da tradicional corrida santista. Cadeirante, o administrador destacou o clima de incentivo dos corredores e do público ao longo do percurso.
“Já fiz várias provas, acho que essa foi minha quarta nos 10 km. Também participo da de 5 KM, e sempre faço questão de vir de Bertioga. É um desafio pessoal mesmo, estar com minha cadeira de rodas e correr, então vale a pena. Hoje saí de casa às 5h50, estava chovendo muito e acabei me atrasando. Era até pra largar na frente, no competitivo, mas acabei ficando para trás” disse.

Apesar do contratempo antes da largada, Vinícius aproveitou a experiência e ressaltou o apoio recebido durante a corrida.
“Foi gostoso, divertido. Eu sempre saio na frente, então não estou acostumado a pegar muita gente, mas vim no meu gás, de boa. O pessoal também sempre vai abrindo espaço para a cadeira. Todo mundo fica dando energia, falando ‘vamos, vamos, parabéns’. Isso dá mais gás pra continuar” completou Vinícius.
Grupos e assessorias
Grupos e assessorias esportivas também aproveitaram a prova para transformar a manhã em um momento de integração e diversão. Educador físico, Renan de Matos Birkett de Campos, de 25 anos, participou da corrida ao lado da equipe que comanda.
— É o terceiro ano que a gente participa da prova e o segundo com a assessoria. Já participei muitos anos como corredor, mas agora trouxe o meu grupo para a prova mesmo. Esse ano vieram 40 pessoas. A expectativa é muito boa. Essa chuvinha ainda ajuda a animar um pouquinho, então vai ser muito bom, como é todo ano – afirmou o educador físico.

Para a psicóloga Renata, de 41 anos, os 10 KM Tribuna também representam um momento de conexão e pertencimento. Participando da prova ao lado do seu grupo de corrida, ela destacou como o esporte, apesar de individual, ganha outro significado quando compartilhado.
“A corrida traz pra gente um equilíbrio de saúde, corpo e mente. Eu, como psicóloga, consigo dizer isso com propriedade. É um esporte individual, mas o coletivo faz toda a diferença quando a gente tem um senso de comunidade e encontra pessoas com afinidades, com o mesmo desejo de estar ali se esforçando, correndo e se superando. Fica muito maior do que um esporte individual que você faz sozinho” disse.

Renata também ressaltou a diferença de disputar uma prova cercada por outras pessoas e explicou que, para o grupo, o principal objetivo vai além do desempenho.
“A vibe é completamente diferente. As pessoas batem recordes pessoais em provas justamente por causa da energia de correr junto com outras pessoas. Faz toda a diferença. Aqui, a gente espera se divertir. Os 10 km da Tribuna são uma prova para aproveitar, sem foco em recordes ou performance. A meta principal é se divertir e celebrar a superação individual de cada um” afirmou a psicóloga.
A matéria foi publicada originalmente em: ge.globo.com em conjunto com Andrey Reis