SANTOS, SP — Criada para acolher torcedores com transtorno do espectro autista (TEA), a torcida Santos Inclusão reforça neste mês, marcado pela celebração do orgulho autista, a importância da inclusão efetiva nos estádios de futebol. O movimento, que reúne mais de 100 famílias do Estado, encontra no ambiente esportivo um espaço de visibilidade para pessoas com TEA. A iniciativa reitera a necessidade de políticas de inclusão e acessibilidade mais eficientes.
O movimento surgiu há um ano e meio, na Capital, a partir de um grupo de amigos que se encontravam para assistir aos jogos do Santos fora da Vila Belmiro. Esses encontros também eram usados para ações sociais.
“Quando ele está com a torcida, se sente parte do mundo”, diz o auxiliar de manutenção Anderson Carvalho, de 47 anos, sobre o filho Kalleb, de 7 anos, que é membro da Santos Inclusão. Ele já tinha ido ao estádio com seus outros filhos e acredita que “se não fosse o movimento, talvez, não teria levado Kalleb”.
Para a trabalhadora do ramo de bufês Ana Lúcia Peixoto, de 53 anos, avó da pequena Ana, de 7 anos, “é importante continuar levando ao público a mensagem de que os autistas, principalmente nossas crianças, são iguais aos outros seres humanos”. Para ela, as campanhas nos estádios motivam as pessoas atípicas, que conseguem interagir em um contexto que normalmente seria difícil.

Fundamental
O vice-presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas, Arthur Garcia, considera fundamental a formação de torcidas organizadas de autistas, pois esse tipo de convivência “possibilita que todo mundo possa aproveitar isso em harmonia, garantindo que pessoas autistas possam se relacionar a partir de um interesse comum”.
Garcia reforça a importância do espaço sensorial. “Com essa estrutura, uma pessoa autista, em meio a uma crise, poderá entrar e ter todo o suporte com equipamentos especializados e terapeutas ocupacionais para ajudar no processo da integração sensorial. Com a diminuição da crise, voltará a ficar bem e depois disso poderá assistir ao jogo junto com todo mundo novamente”.
Pedido
O fundador da Santos Inclusão, Júlio César de Andrade, pede ao Peixe maior atenção à acessibilidade na Vila Belmiro, mais funcionários dedicados ao atendimento de torcedores especiais e um espaço sensorial. “Essa é uma de nossas lutas, mas sabemos que agora será difícil por conta do impasse do novo estádio”. Procurado, o Santos informou ter programas voltados a torcedores especiais ao longo de todo o ano. Em abril, o clube promoveu ações específicas a esse público e de conscientização no jogo contra o Bahia, pelo Brasileirão.
Projeto de lei
Em sessão da Câmara Municipal de Santos, no dia 12, o vereador Adriano Catapreta (PSD) apresentou um projeto de lei que propõe a instalação de “espaços de descompressão” em locais de grande fluxo de pessoas como estádios e shoppings. O objetivo é ajudar pessoas com TEA a se recuperarem de crises em ambientes acolhedores, destinados a promover o bem-estar e a sensação de segurança.
A matéria foi publicada originalmente em: A Tribuna