Moradores e trabalhadores do bairro do Gonzaga, em Santos, relatam aumento da sensação de insegurança fora do período de festas e apontam a ausência de policiamento após o horário de pico. A discrepância entre a intensidade das rondas em dezembro e janeiro e nos demais meses é um dos principais pontos levantados.
É comum encontrar grades e portões entre as calçadas e as portarias dos prédios residenciais da região. Para o porteiro Iago da Silva, de 25 anos, isso ocorre devido à falta de segurança. “Por ser uma região de movimento, é natural que ela chame a atenção de bandidos. Esse tipo de separação, imagino eu, serve para tentar dificultar”.
Segundo a lojista Marcela Costa, de 35 anos, que trabalha em um quiosque de roupas próximo à praia em frente à Avenida Ana Costa, é necessário prender os produtos nas grades, já que furtos rápidos são frequentes. “Os criminosos passam puxando o produto e, quando você vê, eles já estão lá na praia. Daí passamos a prender os produtos com fios para que isso não ocorra mais”. Para ela, porém, isso ainda não é o suficiente para afastar os criminosos.
“Mês passado eu estava conversando com a moça do quiosque ao lado quando, de repente, sem que eu pudesse ver, um homem quebrou as vidraças do quiosque sem mais nem menos e saiu correndo. Eu fiquei paralisada”. A lojista acredita que se o policiamento da região fosse o mesmo do período das festas de fim de ano, a sensação de insegurança diminuiria, já que nessa época a incidência de roubos e furtos também diminui.
Edineia Aparecida, de 73 anos, engenheira aposentada e moradora do Gonzaga, afirma que o policiamento atua até cerca das 19 horas, quando o fluxo de pessoas diminui. Após esse horário, os policiais se dispersam, e poucas viaturas permanecem na área. “A Praça da Independência mesmo fica abandonada depois desse horário. Eles ficam perto do Shopping Balneário e na livraria [Martins Fontes] e depois vão embora”.
“Seria bom se ficassem por aqui igual ficam entre dezembro e janeiro. Trabalharíamos mais tranquilos”, afirma Marcela.
Aparecida de Lourdes, de 59 anos, esteticista, por outro lado, considera a região tranquila, mesmo com o movimento noturno. “Não tenho muito o que falar sobre a região. Mesmo sendo comercial – praticamente o novo centro da cidade – não sinto que isso afeta minha rotina. Eu gosto do movimento”. Questionada, ela afirma que a segurança não é um ponto que a incomoda. “Normalmente tem policiamento, principalmente quando os turistas estão por aqui. É bom para todo mundo”.
Iago aponta que a partir das 20 horas a região se torna mais calma e fica tranquila para moradores do entorno, mas que isso pode gerar insegurança para quem trabalha após esse horário. “É uma questão que precisa ser melhorada”.
Durante patrulhamento da Polícia Militar no Gonzaga, policiais foram abordados pela reportagem, mas não quiseram dar declarações.
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